Perón e Eva, resumo oral

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Depois de muito tempo de trabalho com brasileiros e pessoas de outros países, intercambiando cultura e conjugando experiências, relacionando nossas músicas, palavras e poesias, a história política argentina e sul-americana virou um assunto central. Quantidade de visitas a centros e lugares que mantêm viva a paixão pela política, a mitologia e a literatura em torno dela.

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Esse livro que nós publicamos faz parte também desse trabalho, que confronta com os silêncios sobre a questão, narrando a lenda e a realidade. Os argentinos e os visitantes do pais merecem a verdade, além da novela. Aqui, um resumo oral da história oculta do peronismo de Perón e Evita. Nesses links há áudios. Procure eles, dé click e ouça nossa própria visão:

Descrição do nosso trabalho na Rádio Ciudad

Perón, luta estudiantil e heróis anónimos, para Rádio Belgrano

Mentiras que o próprio Perón disse sobre a história, repressão oculta, lutadores perseguidos e realidade social por trás da propaganda. Na Rádio Mitre

O jornalista Jorge Fernández Díaz lê nosso trabalho pela rádio Mitre:  El amigo millonario de Perón e também Los crímenes ocultos del peronismo

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Perón, detrás del mito

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En el triunfo y en la derrota, rebelde y contestatario o liberal y represor, el peronismo viene marcando el pulso político nacional desde su surgimiento, hace siete décadas. Vencido luego de catorce años en el poder, tiene una nueva oportunidad para revisar sus errores y encauzar su “relato” por encima del movimiento y en beneficio del país.

Un buen paso en ese sentido sería empezar a asumir la verdad de su propia historia. Crímenes y mentiras sintetiza el resultado de una extensa y promenorizada investigación que se inicia con el surgimiento del peronismo en la década de 1940 y abarca toda la trayectoria política del líder justicialista, poniendo el foco en sus primeras presidencias.

Hugo Gambini y Ariel Kocik revelan falsedades estadísticas y discursivas, proscripción de partidos políticos, represión al movimiento obrero y a la lucha estudiantil, aplicación de la ley de residencia contra extranjeros, abusos en las cárceles, secuestros y torturas, uso político de los recursos públicos, corrupción desmedida y tantas otras prácticas ejercidas por el peronismo en el poder. También rescatan la memoria de los hombres y las mujeres que enfrentaron las injusticias y defendieron sus ideales a costa de extraordinarios sacrificios, y dan a conocer por primera vez una lista de las víctimas fatales producidas durante la primera y la segunda presidencias de Perón. (Contratapa del libro Crímenes y mentiras. Sale a librerías en los primeros días de junio de 2017).

Um “coração argentino”

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“Quem escreve, deportado por decreto do Poder Executivo e lei de residência, solicita ao Presidente o indulto de dito decreto. Pelo carinho que eu sinto pela Argentina e o respeito ao seus gobernantes, porquanto a pesar de ser um deportado, nunca perdi a esperança de voltar a Buenos Aires, minha segunda patria, poisa inda hoje, senhor Presidente, juro ante Deus, nao sei o verdadeiro motivo pelo qual me deportaram. Sei que me acusaram de ser comunista… Se eu nao concordei com medidas do seu governo, nao foi por ser anti-peronista, mas por ver as coisas de outra maneira, que eu achava melhor… Um coração argentino nao pode ser mau, chame-se ou nao Juan Perón.”

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Assim escrevia um cidadão espanhol ao presidente argentino, pedindo voltar ao país, de onde tinha sido expulso por decreto do presidente Perón, baseado na lei de residência (uma das mais combatidas pelos trabalhadores). A resposta do líder do justicialismo, foi que pelas suas “atividades subversivas” o causante era um “perigo para a tranquilidade social do país” e cumpria como os requisitos para ser deportado, nao concedendo o perdão para ele.  A lei deportadora, criada pelos conservadores em 1902, foi validada nos anos 1940 pelos deputados peronistas, entre eles John William Cooke (considerado o mais esquerdista deles), depois de terem anunciado o contrário.

Na Argentina, a grande marioria se esquece deste antecedente de política agressiva contra os imigrantes opositores ou simplesmente grevistas -oculta pelo mito e a propaganda do peronismo- que contrariava as melhores tradiçoes do país e da América Latina, de recepção e asilo aos estrangeiros perseguidos. Hoje que os imigrantes de muitos povos sao afetados, nao comvêm continuar esquecendo a história.

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Obrigado, Ana.

A Argentina que o Gabo viu

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Gabriel García Márquez não quis voltar à Argentina depois de ter publicado sua obra Cem anos de Solidão em Buenos Aires. Não era por falta de afeto. A voz de Gardel estava entre as boas lembranças de sua infância. Ele escolheu publicar em um país com florescimento cultural, embora tivessem derrubado o presidente legal.

Sobre sua qualidade de narrador e do coronel Buendía restou pouco para dizer. Politicamente, nunca se questionou a aproximação do Gabo à União Soviética de Stalin, apesar de que não se perdoou a visita de Borges ao Chile de Pinochet. Lhe encantava ao colombiano frequentar políticos extravagantes, que ajudaram a inspirar seu Outono do Patriarca, que nunca se sabe se é um ditador de direita ou um líder popular.

Quando vivia na Europa, a América Latina estava cheia de ditadores e ele via Perón como mais um, entre os Pérez Jiménez, Rojas Pinilla, Trujillo, Batista ou Stroessner. Nos anos setenta, gostava do grupo guerrilheiro peronista chamado Montoneros, mas lhe recordava que, no seu entender, a origem do movimento era fascista.

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De algum modo o peronismo era incompreensível, como o lunfardo dos subúrbios de Buenos Aires, apesar de que admirava e lia Tomas Eloy Martínez, autor da novela Santa Evita. Também gostava muito de Julio Cortázar e junto a ele foram mais populares que Jorge Luis Borges, quem o governo de Perón nomeou inspetor de frangos e coelhos como castigo.

Certamente Cortázar também escapou ou fugiu do movimento popular. Se diz que Julio escrevia ao norte da Plaza de Mayo, em bares que também eram frequentados por gente como Adolf Eichman, refugiado no rio de la Plata. Contradições argentinas.

García Márquez foi amigo do peruano Mario Vargas Llosa, nos tempos de boemia e pobreza, mas Mario cortou com o socialismo e com ele também, denunciando os fuzilamentos e os tanques invasores. Para a esquerda de café argentina, Gabo era uma fraqueza. Qualquer político pagaria por uma foto com ele, juntamente com Fidel Castro.

O grande paradoxo é que na Argentina da Mafalda, que era a capital literária da América, onde Gabo publicou sua obra, havia mais saúde, trabalho e educação do que hoje. Entretanto, houve fervoroso consenso a combater esse bem estar relativo até desembocar numa ditadura feroz.

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Obrigado, Ana (RJ).

Alguma coisa acontece

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Almeida Júnior

Sao Pãulo pode reunir muitos dos segredos de uma massa itinerante e de uma força centrífuga multicultural, o que faz a região ser o centro da energia, musical e laboriosa, de um povo em estado de mudança, bandeirante e empresário, caipira e vagabundo urbano. As raices do café, da riqueza da terra, até a virada do centro ativo e político do império português na América, do litoral baiano ao Rio de Janeiro, da Bahia de Guanabara à terra da garoa, fizeram dela o cenário de uma imigração e crescimento vertiginosos e desmedidos. A sensação de temor que gera sua imensidão, sua imagem noturna interminável, bem pode achar opostos na indefinível calma do café no meio da humanidade sem trégua; de uma imagem do Almeida Júnior, a mudança do tempo e da geografia, a conugação do progresso con os mistérios do terreiro do litoral, ainda presentes na pele e no sorriso da mocidade. A simpleza da gente, as muitas caras da cidade, a poesia oculta no mar de concreto e na arquitetura erguida, entrelaçam trilhos e fumaças, naturezas nos olhos, sons de caixas e ritmos de eletricidade, correntezas urbanas e chuvas suaves.

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Carmelo Gentil

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Buenos Aires era solo San Telmo. Poco más del  puerto viejo por la calle Defensa hacia la Plaza Mayor. El barranco del Parque Lezama de la fundación mítica, que une el barrio de Mafalda con las casas de italianos y las barracas del Riachuelo, tuvo un centro de esclavos y fue pasaje de la milonga sureña hacia el mundo; hasta hoy concentra el sonido de tambores que se cuela en la vida artística. Si la ciudad nació por la Boca del río, el ritmo llegó de Dock Sud y la Isla Maciel, regando la orilla hasta el Puente Alsina. El comercio ilegal en barcos y suelos anegados, los cueros de la campaña, el cuchillo y el almacén hicieron la Santa María de la Magdalena, zona ganadera hacia el sur, y cerealera en el resto de la pampa redonda, que construyó la riqueza del barrio norte. Al igual que en Rio Grande del Sur, la carne y el puñal hicieron la leyenda. También fue vertiginoso. La “cara europea” no oculta el arte venido del interior, nutrido de magias de tierra o de mar lejanas, como sus bordes fabriles que hicieron el resto. El romance de Evita con Magaldi puede resumir mejor el tango que se armó a la vuelta del progreso. Al fin y al cabo, sigue siendo un pueblo, a dos cuadras de Corrientes.

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Detrás del relato peronista

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Una cosa es la propaganda del peronismo, y otra cosa es la verdad de la historia. En los agradecimientos del reciente libro El Relato Peronista, de Silvia Mercado, se lee: “Al joven historiador Ariel Kocik por su infatigable vocación por investigar lo más políticamente incorrecto de la historia argentina, cárceles, torturas y represión al movimiento obrero durante el primer peronismo.” En el libro se cita a www.cuentosperonistas.com y a los testimonios aquí recogidos sobre la represión y las violaciones a los derechos humanos durante el peronismo, ocultas e inéditas por mucho tiempo.

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También se cita el documento “El Laborismo, línea Cipriano Reyes. La verdadera historia. Por Ariel Kocik” , que está publicado en el capítulo 3 del libro Laborismo (ed. Capital Intelectual).  El sitio www.cuentosperonistas.com de Ariel Kocik (mencionado en el programa de Jorge Lanata y en el programa de Jorge Fernández Díaz), funciona como agencia de historia y política con archivo propio, que brinda datos e información a periodistas e investigadores. También denuncia y combate el robo de imprenta (Ver Homenajes). Actualmente investigando y trabajando en futuras publicaciones.

 

Caseros, Brasil em Buenos Aires

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Rosas e as classes populares. “Candombe” dos negros. Obsérva-se ao governador.

O rio da Prata sempre foi uma área disputada pelas potências. Buenos Aires foi, em parte, uma “indústria do contrabando dos portugueses”, especialistas na questão, falaria um historiador. Com o tempo, a re-orientação atlántica do comércio do império espanhol, convertiu a cidade numa importante saida dos metais do alto Perú, minerais que deram nome ao pais mesmo: o argentum, dai os “argentinos”. A cidade nem gerava prata, mas era boa intermediária. Os fazendeiros das “pampas” desenvolveram a exportação das carnes e dos couros, como aqueles outros camponeses do Rio Grande do Sul. De fato, o Brasil foi um destino desses produtos portenhos, consumidos pelos escravos do Rio De Janeiro e da Bahia. Os fazendeiros se opuseram a dividir a riqueza do porto com as outras províncias do pais. Assim se demorou a organição nacional. Após da independência e de um periodo de desunião, um fazendeiro, Juan Manuel de Rosas, governou a província e a “confederação” dependente dela.

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Gaúchos desse tempo. A cor vermelha foi o símbolo da “federação” do Rosas.

Rosas permanecéu no poder por muitos anos, governando com violenta autoridade, dai que se falara da “tirania de Rosas”. Seus rivais eram aqueles que projetavam, no exílio, a Argentina liberal, constitucional e moderna que o mundo conheceria, como Sarmiento e Alberdi. Assim que Rosas tinha controlado conflitos (teve um bloqueio anglo-francês) e rebeliões internas, so faltava se consolidar mediante alianças com o império brasileiro, aconselhadas por seu ministro no Rio de Janeiro. Mas ele desestimou a possibilidade. Os fazendeiros portenhos tinham competidores no litoral de Entre Rios. Um outro fazendeiro de lá, Justo José Urquiza, revelou-se, juntou-se com o Uruguay contrário a Rosas, e finalmente com o império do Brasil. A formação do “exército grande” significaria o final do poderoso Rosas, aquele “gaúcho louro” que demorou a sanção da Constituição argentina.

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O mundo rural, segundo Prilidiano Pueyrredón.

Seria o final, também, dum governo forte que criou tradições de base popular. Tem milongas que falam dele e das mulatas de San Telmo que eram suas seguidoras. Paradoxalmente, a Argentina moderna, liberal e republicana, teve sua origem na intervenção de um exército imperial brasileiro, que foi a base do “exército grande” que vencéu ao Rosas na batalha do Monte Caseros. Assim chegou a Buenos Aires o enterriano Urquiza, primeiro presidente contitucional. Os brasileiros e os “entrerrianos” caminharam pela atual praça de Maio de Buenos Aires, gerando a reação do orgulho portenho. Buenos Aires teve mais intentos separatistas, até a definitiva união das províncias. Tudo estava pronto para a chegada dos imigrantes e o programa educativo. “Ordem e progresso”, bandeira do Brasil, foi também o programa do presidente Julio Argentino Roca.

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Classes altas portenhas.

La Argentina que vio Gabo

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García Márquez no quiso volver a la Argentina después de haber publicado en Buenos Aires su obra Cien años de soledad. No era por falta de afecto. La voz de Gardel estaba entre los buenos recuerdos de su niñez. Eligió publicar en un país con florecimiento cultural, aunque habían derrocado al presidente.

Poco queda por decir de su calidad de narrador y del coronel Buendía. Políticamente, nunca se cuestionó a Gabo su cercanía a la Unión Soviética de Stalin, aunque a Borges no se le perdonó su visita al Chile de Pinochet. Al colombiano le encantaba frecuentar políticos extravagantes, que ayudaron a inspirar su Otoño del Patriarca, que nunca se sabe si es un dictador de derecha o un líder popular.

Cuando vivía en Europa, América Latina estaba plagada de dictadores, y él veía a Perón como uno más, entre los Pérez Jiménez, Rojas Pinilla, Trujillo, Batista o Stroessner. En los años setenta, quería a los montoneros, pero les recordaba que, a su juicio, el origen del movimiento era fascista.

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De algún modo el peronismo era incomprensible desde lejos, como el lunfardo de los suburbios de Buenos Aires, aunque admiraba y leía a Tomás Eloy Martínez, autor de la novela Santa Evita. También quería mucho a Julio Cortázar y junto a él fueron más populares que Jorge Luis Borges, a quien el gobierno de Perón nombrara inspector de pollos y conejos como castigo.

Por cierto, Cortázar también había escapado del movimiento popular. Se cuenta que Julio escribía al norte de la Plaza de Mayo, en bares también frecuentados por gente como Adolf Eichman, refugiado en el río de la Plata. Contradicciones argentinas.

Gabriel García Márquez fue amigo del peruano Mario Vargas Llosa, en tiempos de bohemia y pobreza, pero Mario rompió con el socialismo y con él también, denunciando los fusilamientos y los tanques invasores. Para la izquierda de café argentina, Gabo era una debilidad. Cualquier político hubiera pagado por una foto con él, a la par de Fidel Castro.

La gran paradoja es que en la Argentina de Mafalda, que era la capital literaria de América, donde Gabo publicó su obra, había más salud, trabajo y educación que hoy. Sin embargo, hubo fervoroso consenso en combatir ese bienestar relativo hasta desembocar en una dictadura feroz.

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Publicado en Cuentos peronistas (2014)

Gardel de Avellaneda

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Más allá de Francia, de Nueva York y de Palermo, entre el Abasto y Montevideo, su patria fue también Avellaneda. Al doblar el siglo, el sur de Barracas era la atracción prohibida del juego, la apuesta y las “pupilas”. Un francés gordo y atorrante cantaba en la calle Humahuaca, enfrente del mercado popular. El dueño del bar, puntero de Balvanera, estaba ligado al jefe político del sur, don Alberto Barceló. Amistades en común, un bandoneonista lo vinculó con Juan Ruggiero, el malandra de Dock Sud que lideraba el comité conservador de la calle Pavón, enfrente al frigorífico La Negra, y también manejaba el “escolaso” que a él tanto le gustaba. El cantor alegró las noches donde se preparaba el fraude electoral, y la gente de la capital jugaba sin trabas. Los matones de Ruggierito acompañaban a los porteños a cruzar el río. Cierta vez Gardel se metió con la mujer de un hombre “de respetar en el hampa porteña” y así recibió el balazo que le quedó alojado para siempre. Buscó la protección de su amigo del otro lado del Riachuelo y el pleito motivó una negociación entre guapos conservadores y radicales.

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Ruggiero tenía un fiero competidor “peludista” y rivales como el Gallego Julio, pero esta vez habría advertido que “si tocan a Gardel habrá guerra”. Y el interesado pasó una temporadita en Uruguay para calmar las aguas y poner a salvo una voz única en el mundo. Avellaneda le había dado documentos, protección, amigos, pasión futbolera, juego y milonga. Una tierra que tenía todo lo que la policía de la capital podía censurar y el tango necesitaba. El principal burdel de la Isla Maciel, el Farol Colorado, estaba a una cuadra de la escuela primaria. Cientos de pupilas brillaban en los cuarenta puteros de la isla y regaban la orilla hasta el Puente Alsina y Pompeya, a dos pesos la noche. El cruce de las calles Pavón y Mitre, Avellaneda a un paso de la capital, ofrecía muchachas rubias “importadas”. Gardel fue un ídolo carismático de los conservadores de zonas fabriles donde los obreros temían el crumiraje patronal. Los matones de Barceló llegaron al crimen político. Pero el ámbito dejaría paso, también, al humanismo social con herencia libertaria. Ver 17 de octubre de 1945

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Fuente: “Ruggierito”, por Adrián Pignatelli, para la revista Todo es Historia.

Pintura Pío Collivadino.

Barcos y palabras inglesas en el río de la Plata

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Pagos de la Magdalena. El Saladero.com

Kocik. En el fondo del río de la Plata hay mil barcos hundidos de España, Inglaterra, Francia y otras naciones. Buenos Aires siempre practicó el contrabando. Los porteños rechazaron las invasiones inglesas de Phopam, Beresford y Whitelocke en 1806 y 1807, pero comerciaron con los británicos con cueros y carnes. La revolución industrial necesitó los saladeros del río de la Plata. Dicen que un capitán británico descubrió la carne envasada. Había playas de matanzas en la Santa María de la Magdalena. El presidente Bernardino Rivadavia sería criticado por los nacionalistas por su cercanía a la economía inglesa. El héroe naval argentino, almirante Guillermo Brown, era un marino irlandés con casa en el barrio Boca. Juan Manuel de Rosas, el “gaucho” rubio y ganadero que gobernó las pampas con violencia católica, ganaría fama por su combate al bloqueo franco-inglés, pero moriría en Southampton. Justo José de Urquiza lo derrotó a Rosas en 1852 con ayuda brasilera, y quedó abierto el camino para la Argentina liberal.

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El matadero. Carlos Pellegrini.
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Marina Penhos

Los frigoríficos o meat packings como Anglo se instalarían en orillas malevas de Buenos Aires, entre ellos La Plata Cold Storage y más tarde Wilson. Los trenes ingleses llegarían hasta la señorial Córdoba y la bella Tucumán. Un ramal bonaerense, nacional, sería luego The Buenos Aires Western Railway. Catamarca, provincia con rico pasado nativo, tiene un pueblo llamado Londres.  Un nuevo deporte llegaba a Sudamérica. Los ingleses trajeron el fenómeno al puerto y a los ferrocarriles. Buenos Aires y Montevideo abrazaron la pasión por el fútbol. Brillaba el Alumni  club. Palabras como off-side, center-half, win, foul or referee derivarían en orsai o referí en las tribunas populares. Algunos clubs fundados por ingleses, como Quilmes Athletic Club, no permitían el ingreso de argentinos. El rival fue Argentino de Quilmes, cuyo símbolo es el mate. River Plate o Racing Club también recordaban aquél origen.

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Frigorífico Anglo de Dock Sud. Histarmar.
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Enzo Bordabehere fue asesinado en el parlamento argentino.

En política, los nacionalistas denunciaron la alianza con Inglaterra como colonial, y los liberales la celebraron como fuente de riqueza.  Fue famoso el tratado Roca-Runciman con Gran Bretaña. El senador Lisandro de la Torre denunció a los frigoríficos ingleses y norteamericanos. El corned beaf y el chilled beaf eran producidos a costa de un inmoral trabajo standard, impuesto por míster Swift en Chicago,  y de estafas al Estado nacional. El compañero de la Torre, Enzo Bordabhere, fue asesinado en el parlamento argentino por un matón conservador. Juan Perón diría que odiaba a Inglaterra y admiraba a Alemania. “Mate sí, whisky no”, se cantaría. Fue famosa su dialéctica con el embajador norteamericano Spruille Braden, pero luego se llevó bien con otro embajador gringo, Stanton Griffis. Evita no visitó Inglaterra en su gira por Europa: los laboristas podían agraviarla. El Labour Party, fuerza de los hijos de escoseses y humildes reunidos en los trade unions, tuvo que ver con el Partido Laborista, la organización de los trabajadores argentinos que dio origen al peronismo.

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Quinquela Martin.

Berisso, emblema de progreso argentino, tenía su famoso bar inglés Dawson, que reunía idealistas políticos. Según la leyenda allí paraba el mariscal yugoslavo Josip Broz, alias Tito, siguiendo noticias de su tierra. Un café emblema de la bohemia porteña, en pleno centro-sur histórico, fue justamente el Británico, cuyo nombre fue cambiado durante la guerra de las islas Malvinas en 1982: era el Tánico. Más bacán y conocido es el café London de Julio Cortázar. Justamente los artistas de rock enfrentaron el desafío de cantar en español una música cuyo origen parecía ser el sur norteamericano o la campaña inglesa. Los Rolling Stones o los Beatles no se mezclaron al principio con el tango, aunque sí con el samba en el Brasil. Si los Beatles eran hijos de la clase obrera, Luis Alberto Spinetta y Charly García eran rebeldes de la clase media alta. Una duquesa de Norfolk dijo que el tango era “contrario a las buenas costumbres inglesas” (1), pero era bailado en hoteles de lujo. Más romance tuvo, sin embargo, con el París nocturno donde varios extrañaban la calle Corrientes.

(1) Referencia de Carlos Fuentes.